[ENTREVISTA] Câncer de Mama - A importância da detecção precoce
A detecção precoce é um dos métodos mais eficientes utilizados para o diagnóstico do câncer. No caso do câncer de mama sabe-se que 95% dos casos diagnosticados no início têm possibilidade de cura. O Oncoguia entrevistou a médica mastologista Dra. Patricia T. Valentini de Melo que esclarece a importância da detecção precoce do câncer de mama e dá dicas sobre qualidade de vida.
Instituto Oncoguia - O que é detecção precoce de câncer de mama?
Patrícia Melo - Detecção precoce significa diagnosticar a doença o mais cedo possível, identificando casos iniciais, para aumentar as chances de cura e diminuir a agressividade do tratamento.
A detecção precoce é realizada através do rastreamento entre mulheres assintomáticas da seguinte forma:
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Exame clínico das mamas (exame realizado pelo médico ginecologista / mastologista ou profissional de saúde treinado). Deve ser feita de forma anual em mulheres com 40 anos ou mais.
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Rastreamento mamográfico. Mamografia anual para mulheres com 40 anos ou mais.
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Auto conhecimento ("Auto-Exame" das mamas). Deve ser realizado mensalmente, após a menstruação.
Para mulheres de risco elevado: o que significa ter história familiar de câncer de mama em pelo menos um parente de primeiro grau antes dos 50 anos, ter história familiar de câncer de mama bilateral ou de ovário em qualquer idade, ter história familiar de câncer de mama masculino e ter diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipia ou neoplasia lobular in situ.
A recomendação é realizar exame clínico das mamas e mamografia anualmente a partir dos 35 anos de idade.
Instituto Oncoguia - Sabemos que o fato de ser mulher já é um risco para desenvolver câncer de mama, quais outros fatores para o surgimento da doença?
Patrícia Melo - Existem os fatores de risco passíveis de intervenção, por exemplo:
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Obesidade (baixo consumo de frutas e vegetais e vida sedentária).
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Exposição à radiação ionizante.
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Exposição a pesticidas / organoclorados.
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Tabagismo.
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Uso excessivo de álcool (2 doses diárias).
E os fatores sobre os quais não se pode intervir:
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Idade (acima de 40 anos).
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Menarca precoce (primeira menstruação antes dos 10 anos).
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Menopausa tardia (última menstruação depois dos 55 anos).
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Primeira gestação tardia (após 25 anos).
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Câncer de ovário ou mama no passado.
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Doença mamária benigna (lesões mamárias proliferativas com atipias ou outras doenças precursoras).
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Mutações genéticas (BRCA1 e BRCA2).
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História familiar de câncer de mama.
Instituto Oncoguia - Em que consiste o autoconhecimento e autocuidado das mamas?
Patrícia Melo - O autocuidado significa cuidar da própria saúde. Podemos fazer isso conhecendo nossa história familiar para câncer de mama (dessa forma saberemos nosso risco), procurando ter hábitos saudáveis de vida (alimentação e atividade física), conhecendo melhor nossas mamas, através do autoconhecimento. Para tanto devemos palpar nossas mamas, axilas e fossas claviculares ("saboneteiras"), sempre após a menstruação (ou em qualquer dia para quem não menstrua). Dessa forma seremos capazes de identificar qualquer mudança, informação essa que ajuda muito o profissional de saúde na detecção precoce.
O autoconhecimento das mamas é um importante aliado na mobilização da população feminina para os cuidados com a própria saúde, mas não substitui o exame físico das mamas realizado por um profissional de saúde treinado.
Instituto Oncoguia - Qual a importância do exame clínico das mamas? Por quem é realizado e quando deve ser feito?
Patrícia Melo - O Exame clínico das mamas é realizado pelo médico ginecologista / mastologista ou profissional de saúde treinado. Faz parte do rastreamento para detecção precoce do câncer de mama, porque através dele, lesões a partir de 1,0 cm são identificadas assim como secreções dos mamilos, como sangue ou líquido transparente, que podem ser um primeiro sinal da doença. Deve ser feito anualmente em mulheres com 40 anos ou mais.
Instituto Oncoguia - Quais as recomendações para a realização da mamografia?
Patrícia Melo - O rastreamento mamográfico consiste em realizar mamografia anual para mulheres com 40 anos ou mais. A partir dos 70 anos, a frequência dependerá do critério médico.
Para as mulheres portadoras de próteses de silicone existe uma técnica especial para realizar a mamografia e sim elas podem e devem fazer o exame.
O ideal é realizá-la após a menstruação e evitar o uso de talcos e/ou desodorantes, que podem falsear imagens.
Para mulheres de risco elevado, a mamografia deve ser anual a partir dos 35 anos de idade.
Instituto Oncoguia - A que alterações na mama a mulher deve ficar atenta para a detecção precoce da doença?
Patrícia Melo - A mulher deve estar atenta a qualquer mudança no seio, por exemplo, vermelhidão, abaulamentos ou retrações da pele, descamação da pele da aréola/mamilo, inversão recente do mamilo, ulcerações, nódulos palpáveis endurecidos ou fixos (nas mamas e/ou axilas), espessamentos palpáveis, secreções preocupantes (sangue ou transparente como água). Em todos esses casos a mulher deve imediatamente procurar seu médico para elucidação diagnóstica.
Instituto Oncoguia - Do ponto de vista de prevenção qual o impacto da detecção precoce do CA de mama?
Patrícia Melo - Particularmente, o câncer de mama, na atualidade, tornou-se um problema de saúde pública. Tanto as taxas de incidência, quanto as de mortalidade vêm aumentando progressivamente em nosso país. Em 2009 foram diagnosticados 48.000 casos novos, dos quais 12.000 morreram em função da doença. Em 2010 esperam-se 50.000 casos, dentre os quais 15.000 mortes. Hoje, entre os cânceres, o de mama é o que mais mata.
O diagnóstico precoce, por sua vez, ainda é a maior arma para diminuição da mortalidade por essa doença, impactando na diminuição dos custos. Nos países desenvolvidos isso vem acontecendo, graças ao incentivo e investimento em programas de rastreamento populacional através da mamografia, associada ao exame clínico das mamas, que comprovadamente diminuem em pelo menos 30% as taxas de mortalidade.
Infelizmente, no Brasil 60% dos casos ainda são diagnosticados tardiamente (estádios III e IV). Esse índice chega a 80%, quando incluímos o estádio II da doença. Dessa maneira, ao contrário do que ocorre nos países desenvolvidos, as taxas de mortalidade vêm aumentando em nosso país, o mesmo acontecendo com os custos do tratamento.
Um grande problema tem sido a falta de conscientização da população feminina frente à doença, associada à insuficiência de exames mamográficos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Instituto Oncoguia - Existe atualmente um tema polêmico que se refere à mastectomia profilática, em que consiste a técnica e que mulheres podem ou não podem fazer?
Patrícia Melo - Podemos chamar a mastectomia profilática de cirurgias redutoras de risco:
Mastectomia Profilática - É a retirada completa da glândula mamária, incluindo pele, aréola e mamilo, porém sem esvaziamento axilar. Reduz em 96 a 98% o risco de câncer de mama.
Adenomastectomia Subcutânea ou Adenectomia ou Mastectomia Subcutânea Profilática - É a retirada de toda glândula mamária, preservando-se a pele, aréola e mamilo.
Nos dois casos, normalmente, coloca-se prótese de silicone imediatamente, a fim de preencher o espaço antes ocupado pela glândula mamária retirada.
As cirurgias têm sido indicadas como critério para redução do risco para câncer de mama em pacientes do grupo de alto risco, particularmente nas portadoras de mutações genéticas (BRCA1 e BRCA2).
Cada vez mais, os médicos têm evitado tais técnicas, já que atualmente a ressonância magnética das mamas colabora muito na detecção precoce nas mulheres de alto risco.
Sabemos que a detecção precoce é fundamental para qualquer doença, no caso do câncer de mama quais são as chances de cura quando diagnosticado precocemente?
As chances de cura são tanto maiores, quanto menores as lesões e o estágio da doença. Nos casos diagnosticados intra-ductos, as chances chegam a 100%.
Instituto Oncoguia - Que hábitos saudáveis as mulheres podem seguir para evitar o câncer de mama?
Exposição ao sol em horários matinais ou fim de tarde: Hoje a importância da vitamina D na prevenção do câncer, inclusive o de mama foi reconhecida, por ter efeito anti-proliferativo. A suplementação de vitamina D é recomendada, para as pessoas que não se expõem ao sol.
Recomendações de Ingestão alimentar:
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Vegetais: 5 porções/dia.
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Frutas: 3 unidades/dia.
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Fibras: 30 g/dia (particularmente a partir de oleaginosas, como castanhas amêndoas, nozes).
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Proteínas: Fontes com baixo teor de gordura (peixes e aves).
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Redução de gordura corporal.
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Atividade física de 4 h ou mais/semana reduz 30% o risco relativo para câncer de mama.
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